quinta-feira, novembro 13, 2025

Prova de Tópicos Especiais em Sociologia


 As perguntas de Tópicos Especiais em Sociologia, na área de Sociologia, é um material que foi disponibilizado como subsídio escolar para universitários, vestibulandos e alunos do ensino médio, dentre outros. As opções que estão destacadas, são consideradas as respostas corretas, mais podem mudar de acordo com o ambiente escolar.

Questão 1
O dinamismo comercial de Yiwu deve-se às (assinale a alternativa correta):

a. Monetizações estatais.
b. Empresas transnacionais.
Resposta correta!
c. Iniciativas familiares locais.
d. Políticas públicas do Departamento Comercial da China.
e. Novas estratégias industriais que passaram a privilegiar os mercados do sul.

Ver o restante das perguntas aqui 

 

quinta-feira, outubro 16, 2025

O Faraó das Areias – Valerio Massimo Manfredi

O italiano Valerio Massimo Manfredi, autor da bem-sucedida trilogia Alexandros, conduz o leitor por uma viagem no tempo que começa em Jerusalém às vésperas da invasão do imperador da Babilônia, Nabucodonosor, até os bastidores de uma pesquisa científica de ponta, coordenada pelo famoso egiptólogo norte-americano William Blake. O resultado dessa aventura de fazer inveja a qualquer Indiana Jones, capaz de pôr em xeque as três religiões mais importantes do mundo ocidental, pode ser conferido em O faraó das areias. O ponto de partida da narrativa é a história bíblica presente no Quarto Livro dos Reis, que narra a invasão à Jerusalém, à época governada pelo Rei Sedecia. Cativo, o Rei de Judá presencia a morte de seus três filhos. Com os olhos extirpados por um punhal afiado, ele mergulha em uma escuridão sem fim e, num resquício de consciência, lembra-se das advertências do seu amigo, o Profeta. Daí, o romance dá um salto no tempo e no espaço para Chicago, nos Estados Unidos, no fim do segundo milênio depois de Cristo, quando o autor italiano apresenta o herói e protagonista da aventura, o arqueólogo William Blake. A tensão crescente entre americanos, judeus e palestinos na região do Oriente Médio coloca Blake no centro de um conflito internacional. A situação se torna ainda mais complexa quando o cientista descobre que o conteúdo do sarcófago seria capaz de abalar os alicerces das três religiões monoteístas do mundo, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. E mais ainda: que as maldições dos antigos, por coincidência ou não, podem se concretizar.
 

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O Faraó das Areias - Valerio Massimo Manfredi

O italiano Valerio Massimo Manfredi, autor da bem-sucedida trilogia Alexandros, conduz o leitor por uma viagem no tempo que começa em Jerusalém às vésperas da invasão do imperador da Babilônia, Nabucodonosor, até os bastidores de uma pesquisa científica de ponta, coordenada pelo famoso egiptólogo norte-americano William Blake. O resultado dessa aventura de fazer inveja a qualquer Indiana Jones, capaz de pôr em xeque as três religiões mais importantes do mundo ocidental, pode ser conferido em O faraó das areias. O ponto de partida da narrativa é a história bíblica presente no Quarto Livro dos Reis, que narra a invasão à Jerusalém, à época governada pelo Rei Sedecia. Cativo, o Rei de Judá presencia a morte de seus três filhos. Com os olhos extirpados por um punhal afiado, ele mergulha em uma escuridão sem fim e, num resquício de consciência, lembra-se das advertências do seu amigo, o Profeta. Daí, o romance dá um salto no tempo e no espaço para Chicago, nos Estados Unidos, no fim do segundo milênio depois de Cristo, quando o autor italiano apresenta o herói e protagonista da aventura, o arqueólogo William Blake. A tensão crescente entre americanos, judeus e palestinos na região do Oriente Médio coloca Blake no centro de um conflito internacional. A situação se torna ainda mais complexa quando o cientista descobre que o conteúdo do sarcófago seria capaz de abalar os alicerces das três religiões monoteístas do mundo, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo. E mais ainda: que as maldições dos antigos, por coincidência ou não, podem se concretizar.

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Amor Líquido – Zygmunt Bauman

 A modernidade líquida – um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível – em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido. Zygmunt Bauman, um dos mais originais e perspicazes sociólogos em atividade, investiga nesse livro de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais "flexíveis", gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em “redes”, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade – e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual –, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta: não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a nossa capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada. Como exemplo, o autor examina a crise na atual política imigratória de diversos países da União Européia e a forma como a sociedade tende a creditar seus medos, sempre crescentes, a estrangeiros e refugiados. Com sua usual percepção fina e apurada, Bauman busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos — figura central dos tempos modernos — se conecta.

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O que foi o Holocausto?

A entrada para o campo de concentração de Auschwitz Birkenau. Foto: Shutterstock

O Holocausto foi a tentativa da Alemanha nazista, de seus aliados e outros colaboradores, de assassinar os judeus da Europa. Durante os seis anos da Segunda Guerra Mundial, perseguições e opressões sistemáticas, burocráticas, patrocinadas pelo Estado e organizadas pelo governo, resultaram na morte de seis milhões de judeus europeus em todo o continente.

A perseguição aos judeus na Alemanha começou em 1933, quase imediatamente após a chegada dos nazistas ao poder. O massacre sistemático de judeus, no entanto, ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente, isso significou guetização e fuzilamentos em massa na Europa Central e Oriental. Depois, entre 1941 e 1945, começaram as deportações para centros de extermínio como Auschwitz, Treblinka e Belzec, primeiro de locais da Polônia ocupada e depois de toda a Europa ocupada. Essa fase de matança sistemática foi chamada pelos nazistas de a Solução Final da Questão Judaica.

Na União Soviética, no entanto, os judeus foram mortos principalmente por meio de tiroteios em massa: quase um terço das vítimas do Holocausto foram mortas onde viviam ou nas proximidades, sem transporte para guetos ou campos. A busca nazista por vítimas judias também não se limitou à Europa: judeus de Trípoli foram deportados para Bergen-Belsen e outros de Benghazi foram enviados para um campo de trabalhos forçados na Áustria. Créditos de About holocaust

O que foi a “Solução Final”?

Seleção de prisioneiros em Auschwitz-Birkenau (Maio/Junho de 1944). Crédito da foto: Wikimedia Commons

A “Solução Final da Questão Judaica” foi o termo eufemista usado pelas autoridades nazistas alemãs para se referir ao plano de aniquilar os judeus europeus. O uso mais importante do termo para significar isso foi em um memorando de Hermann Göring a Reinhard Heydrich, datado de 31 de julho de 1941, pedindo a Heydrich para preparar “um plano geral das medidas organizacionais, práticas e financeiras preliminares para a execução da solução final pretendida da questão judaica”.

A implementação e coordenação da Solução Final foi definida em 20 de janeiro de 1942, em uma reunião de altos oficiais da SS e funcionários do governo alemão de diferentes ministérios e agências no subúrbio de Wannsee, em Berlim. Esta reunião foi inicialmente destinada a dezembro de 1941, mas foi cancelada após a declaração de guerra de Hitler contra os Estados Unidos.

Figuras-chave:
Hermann Göring: um piloto de caça na Primeira Guerra Mundial, Göring se juntou aos nazistas na década de 1920 depois de ouvir Hitler falar. Em 1933, ele estava no centro do NSDAP e assumiu uma série de escritórios e responsabilidades. Ele é mais conhecido por seus papéis como Comandante da Luftwaffe (força aérea) e Diretor do Plano de Quatro Anos para reconstruir a economia da Alemanha para que ela pudesse travar uma guerra. À medida que o Terceiro Reich progredia, Göring tornou-se obcecado com honras, títulos e uniformes, além de se tornar progressivamente mais dependente das drogas. Ele era um foco particular de humor de guerra na Alemanha, depois de se gabar de que os Aliados nunca seriam capazes de bombardear Berlim.

O réu sênior no primeiro julgamento de Nuremberg, Göring, havia recuperado grande parte de suas habilidades anteriores devido ao desmame forçado das drogas durante sua prisão. Ele fez o advogado-chefe dos EUA, Robert H. Jackson parece ineficaz ao questioná-lo, e teve que ser controlado pelo conselheiro britânico Sir David Maxwell-Fyfe. O tribunal condenou-o à morte, mas ele cometeu suicídio por veneno horas antes da sentença ser cumprida.

Reinhard Heydrich: nascido em 1904, Heydrich ingressou na SS em 1931, tornando-se rapidamente chefe do SD (Sicherheitsdienst), responsável pela segurança interna do partido. Durante a década de 1930, Heydrich ganhou cada vez mais responsabilidade por assuntos policiais, tornando-se chefe da Gestapo (Geheime Staatspolizei: polícia secreta) em 1934. Em 1936, ele acrescentou a responsabilidade pela Polícia de Segurança à sua pasta e, em 1939, tornou-se chefe do Escritório Principal de Segurança do Reich, responsável por todas as funções policiais na Alemanha nazista. No verão de 1941, Heydrich recebeu a responsabilidade pela “Solução Final da Questão Judaica” e convocou a Conferência de Wannsee em janeiro de 1942. Nomeado para dirigir o Protetorado do Reich da Boêmia e da Morávia em setembro de 1941, ele reprimiu brutalmente a resistência checa enquanto supervisionava a deportação de judeus das terras checas. Sua política de pacificação e desrespeito pela segurança pessoal levaram ao seu assassinato por agentes checos patrocinados pelos britânicos o atacaram no centro de Praga em maio de 1942: ele morreu de ferimentos infectados do ataque em 4 de junho de 1942. Créditos de Sobre o Holocausto

A Teoria das Formas de Governo - Norberto Bobbio

O livro A Teoria das Formas de Governo - Norberto Bobbio, é uma série de aulas de filosofia política ministradas na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Turim no ano letivo de 1975/76. Após ter ensinado filosofia do direito durante muitos anos, em 1972 decidi passarão ensino da filosofia política, cadeira criada há poucos anos pela reforma das Faculdades de Ciências Políticas. O fato de eu ter deixado a matéria que ensinara por mais de trinta anos, quando já havia quase chegado ao final da carreira (que se encerrou em 1979), requer uma rápida explicação. Em 1972, meu velho amigo, Alessandro Passerin D'Entrèyes, que poucos anos antes havia inaugurado a primeira cátedra de filosofia política, entrara em gozo de licença, e convidou-me para sucedê-lo. Não hesitei nem um pouco e aceitei: ambos tínhamos sido alunos, ele alguns anos antes de mim, do mesmo mestre, Gioele Solari, que, com a história das doutrinas políticas, iniciara na Itália um ciclo de estudos conduzidos mediante rigoroso método histórico e com forte inspiração filosófica. A maior parte dos escritos de Solari foram reunidos em dois volumes sob a responsabilidade de outro de seus alunos, Luigi Firpo: La Filosofia Política, vol. I: Da Campanella a Rousseau, e vol. II: Da Kant a Comte (Bari, Laterza, 1974). Ao aceitar o convite, contribuiria para dar continuidade a uma tradição que não merecia ser interrompida.

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Modernidade Liquida – Zygmunt Bauman

A modernidade imediata é leve, líquida, fluida e infinitamente mais dinâmica que a modernidade sólida que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman esclarece como se deu essa transição e nos auxilia a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta.Modernidade líquida complementa e conclui a análise realizada pelo autor em Globalização: as conseqüências humanas e Em busca da política. Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política.
 

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Medo Líquido – Zygmunt Bauman

Medo líquido, uma obra reveladora de Zygmunt Bauman, fala sobre as origens, as dinâmicas e os usos do medo na modernidade líquida. Ao mesmo tempo, é um convite para que tentemos encontrar maneiras de colocá-lo fora de ação ou torná-lo inofensivo.
 
Nesse estudo singular sobre a vida social contemporânea, Zygmunt Bauman analisa os fundamentos do medo na era líquido-moderna. Segundo o sociólogo polonês, as certezas da modernidade sólida se foram e, com isso, a utopia do controle sobre os mundos social e natural desmoronou.

Desprovido do domínio sobre aspectos como a natureza, a economia globalizada, o bem-estar social e o poder da tecnologia, o ser humano vive hoje em meio a uma ansiedade constante. Temos medo de perder o emprego, de sermos aniquilados por um grande evento natural, da violência urbana, do terrorismo, de perder o amor do parceiro, da exclusão, de ficarmos para trás.

Neste livro, Bauman faz um inventário dos medos presentes na modernidade líquida. Apresentando um diagnóstico de clareza inigualável, o autor desvela as origens comuns das ansiedades atuais, analisa os obstáculos que impedem o pleno entendimento da situação e examina os mecanismos que possam deter a influência do medo sobre as nossas vidas.

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A Etica e Possivel Num Mundo de Consumidores - Zygmunt Bauman

"Esse livro é o relatório de um campo de batalha." Com essa afirmação, Zygmunt Bauman abre a coletânea que reúne seis de suas conferências proferidas no Instituto de Ciências Humanas de Viena, em 2008. A ética é o ponto em comum entre cada um dos textos. O autor sugere que seja adotada uma nova lógica que nos permita ler a realidade atual e apresente uma tentativa desafiadora de captar o mundo em movimento. Dialogando com pensadores como Hannah Arendt, Jacques Derrida e Norbert Elias, o sociólogo reflete sobre o papel da arte no mundo líquido moderno; o dilema da Europa frente aos estrangeiros; a banalização da ideia do Holocausto; a impossibilidade de se debater a liberdade pelo predomínio do medo e da insegurança; a educação e o desenvolvimento de uma atitude ética, em um século dominado por forças antagônicas, como a globalização e políticas de forças locais. Seis textos que refletem lúcidos estudos da sociedade contemporânea. 
 

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quarta-feira, setembro 17, 2025

Sobre o gnosticismo

Sobre o gnosticismo
O gnosticismo compreende a fusão de elementos cul­turais colhidos de diversos gêneros ou opiniões, até mesmo antagônicas, filosófico-religiosas. Surgiu no I Século da nossa Era. Visa conciliar todas as religiões e explicar o sen­tido mais profundo da "gnose". Sendo notadamente sincretista, o gnosticismo viu no cristianismo muitos elemen­tos de que podia lançar mão e usar da maneira como bem lhe parecesse.O gnosticismo se dividia em quatro classes distintas: sírio, egípcio, judaizante, e pôntico. Independentemente de classe, quanto à pessoa de Cristo, o gnosticismo procu­rava explicá-lo em termos filosófico-pagãos, ou da "teosofia".O gnosticismo de tipo sírio encontrou em Saturnino o seu principal arauto. 

Ele ensinava que há um Pai absolu­tamente desconhecido que fez anjos, arcanjos, virtudes e potestades; o mundo, porém, e tudo quanto nele existe, foi feito por anjos em número de sete...O Salvador, conforme Saturnino, não nasceu, não teve corpo nem forma, mas foi visto em forma humana apenas em aparência. O Deus dos judeus, segundo ele, era um dos sete anjos; visto que todos os principados quiseram destruir seu Pai, Cristo veio para aniquilar o Deus dos ju­deus e para salvar os que nele acreditassem. Esses são os que possuem uma fagulha da vida de Cristo. Saturnino foi o primeiro a afirmar a existência de duas estirpes de ho­mens formados pelos anjos: uma de bons e outra de maus. Sendo que os demônios davam seu apoio aos maus, o Sal­vador veio para destruir os demônios e os perversos, sal­vando os bons. Mais ainda, segundo Saturnino, casar-se e procriar filhos é obra de Satanás (Documentos da Igreja Cristã -Juerp – Pág. 68).

O gnosticismo tomou de empréstimo certos elementos do cristianismo e os introduziu em seu conceito geral de salvação. Cristo, por exemplo, era considerado pelos gnósticos como salvador, visto que dizem ter sido ele quem trouxe o conhecimento salvífico ao mundo. Mas este não é o Cristo da Bíblia; o Cristo do gnosticismo era uma essên­cia espiritual que emanara dos eons. Este Cristo não podia ter assumido a forma de homem. Quando apareceu sobre a terra, diziam os gnósticos, só parecia ter corpo físico. Ao mesmo tempo, os gnósticos também ensinavam que este Cristo não sofreu e morreu. O gnosticismo, em outras palavras, proclamava uma Cristologia docética.Face o perigo do ensino gnóstico para a integridade da doutrina Cristológica, Irineu afirmou que os gnósticos nun­ca receberam os dos do Espírito Santo e que desprezavam os profetas.

Sobre o docetismo

O docetismo afirmava que o corpo de Cristo não pas­sava de um fantasma; que seus sofrimentos e morte eram meras aparências. Deste modo pontificavam os apóstolos do docetismo: "Ou [Cristo] sofria e então não podia ser Deus; ou era verdadeiramente Deus e então não podia sofrer.

"O docetismo assumiu várias formas: ou negava a ver­dadeira humanidade de Cristo empregando teorias sobre corpo fantasmagórico, ou então escolhia certos aspectos da vida terrena de Cristo, como sendo potencialmente verídi­cos, enquanto negava o restante dos relatos bíblicos atra­vés de suas explicações. Estava em frontal oposição à de­claração joanina: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo não veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo..."(1 Jo 4.2,3).

 Cerinto, habitante da Ásia Menor, defendia a opinião de que Jesus fora unido a Cristo, o Filho de Deus, por ocasião do seu batismo, e que Cristo abandonou o Je­sus terreno antes da crucificação. Acreditava que o sofri­mento e a morte de Jesus eram incompatíveis com a divin­dade de Cristo. Outra teoria docética, associada a Basílides, sugeria que ocorreu um engano, que Simão, o Cirineu, fora crucificado em lugar de Cristo, escapando Jesus, desse modo, da morte na cruz (História da Teologia – Concórdia S/A – Pág18).

Contra as heresias do docetismo, além do apóstolo João, se levantou Irineu, um dos líderes da Igreja antiga. Quanto ao docetismo, aos crentes seus contemporâneos, escreveu ele:"Torna-te surdo quando te falam de um Jesus Cristo fora daquele que foi da família de Davi, filho de Maria, nasceu autenticamente, comeu e bebeu, padeceu verda­deiramente sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado e morreu verdadeiramente... De que me valeria estar em ca­deias, se Cristo sofreu somente na aparência, como certos pretendem? Esses, sim, não passam de meras aparên­cias" (Documentos da Igreja Cristã – Juerp – Pág.68).

Sobre monarquianismo

O Monarquianismo negava basicamente o conceito trinitário da divindade. Sustentava que a doutrina da Trindade se opunha à fé no Deus único. Seus adeptos re­pudiavam a idéia da "economia", segundo a qual Deus, que certamente é um, rebelou-se de tal maneira que apareceu como Filho e como Espírito Santo. O monarquianismo se manifestou de duas formas: Dinamista e Modalismo.

a) O Monarquianismo Dinamista
O primeiro defensor desta forma de monarquianismo foi o curtidor Teodoto, que chegou a Roma vindo de Bizâncio no ano 190, como resultado de uma perseguição. Era hostil à cristologia do Logos e, em geral, negava a divinda­de de Cristo. Em vez disso, acreditava ser Cristo mero ho­mem. Nasceu duma virgem, mas apesar disso não passava dum mero homem. Era superior aos demais homens ape­nas com respeito à sua justiça. Mais especificamente, Teo­doto concebeu a relação entre Cristo e o homem Jesus do seguinte modo. Jesus vivera como os demais homens; por ocasião de seu batismo, contudo, Cristo veio sobre ele como um poder que estava ativo dentro dele a partir de en­tão... Considerava-se Jesus um profeta que não se tornou Deus, embora estivesse equipado com poderes divinos por algum tempo. Só se uniu a Deus depois de sua ressurreição (História da Teologia – Concórdia S/A – Pág. 58).

b) O Monarquianismo Modalista
A história responsabiliza Noeto e seus discípulos como divulgadores dessa forma de monarquinismo. Noeto rejei­tava a doutrina da Trindade divina, inclusive a cristologia do Logos e as tendências subordinacionistas implícitas ne­la. Para Noeto, apenas o Pai é Deus, e embora esteja oculto à vista dos homens, manifestou-se e se fez conhecer segun­do o seu beneplácito. Deus não está sujeito a sofrimento e morte, mas pode sofrer e morrer se ele assim o quiser. Ao dizer isto, Noeto procurou ressaltar a unidade de Deus. O Pai e o Filho não são apenas da mesma essência; são tam­bém o mesmo Deus sob nome e forma diferentes. Noeto ne­gou-se a diferenciar entre as três pessoas da Divindade. Como ele entendia o problema, podia-se dizer tão bem que o Pai sofreu como dizer que Cristo sofreu.

Sobre o sabelianismo

O sabelianismo, um movimento religioso organizado por Sabélio, cerca do ano 375, confundia a pessoa de Cristo apenas com uma faceta ou manifestação de Deus. Ensina­va que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma só e a mes­ma essência, três nomes apenas dados a uma só e mesma substância. 

Propõe uma analogia perfeita tomada do cor­po, da alma e do espírito do homem. O corpo seria o Pai, a alma seria o Filho, enquanto o Espírito Santo seria para com a divindade o que o espírito é para com o homem. Ou tome-se o Sol: o Sol é uma só substância, mas com Tríplice manifestação: luz, calor e globo solar. 

O calor... é (análogo a) o Espírito; a luz, ao Filho; enquanto o Pai é representa­do pela verdadeira substância. Em certo momento, o Filho foi emitido como um raio de luz; cumpriu no mundo tudo o que cabia à dispensação do Evangelho e à salvação dos ho­mens, e retirou-se para os céus, semelhantemente ao raio enviado pelo sol que é novamente incorporado a ele.

O Espírito Santo é enviado mais sigilosamente ao mundo e, sucessivamente, aos indivíduos dignos de o receberem (Documentos da Igreja Cristã Juerp – Pág. 71).Atribui-se a Sabélio a frase: "Deus, com respeito à hipóstase é um, mas foi personificado na Escritura de várias maneiras segundo a necessidade do momento" (História da Teologia – Concórdia S/A – Pág. 59).

Sobre o arianismo

Ário, presbítero em Alexandria por volta do ano 310, estabeleceu a sua doutrina cristológica partindo de um conceito filosófico de Deus. Segundo ensinava, não era possível a Deus conferir sua essência a qualquer outro, em virtude do fato de ser uno e indivisível. Não se podia con­ceber que o Logos ou o Filho pudesse ter chegado a existir a não ser por um ato de criação. Desse modo, na opinião de Ário, Cristo não podia ser Deus no sentido pleno do termo; devia, em vez disso, fazer parte da criação. 

Como resulta­do, Ário considerava Cristo como "ser intermediário", me­nos do que Deus e mais do que o homem. Também dizia ser Cristo criatura, tendo sido criado ou no tempo ou antes do tempo. Ário, portanto, negava a preexistência do Filho em toda a eternidade, e lhe conferia atributos divinos ape­nas em sentido honorífico, baseado na graça especial que Cristo recebera e na justiça que manifestou.

Em suma, o arianismo ensina que "o Filho não existiu sempre, pois quando todas as coisas emergiram do nada e todas as essências criadas chegaram a existir, foi então que também o Logos de Deus procedeu do nada. Houve um tempo em que ele não era, e não existiu até ser produzido, pois mesmo ele teve um princípio, quando foi criado. Pois Deus estava só, e naquele tempo não havia nem Logos nem Sabedoria. Quando Deus decidiu-se criar-nos, produziu, em primeiro lugar, alguém que denominou Logos e Sabe­doria e Filho, e nós fomos criados por meio dele". 

O arianismo encontrou em Atanásio o seu mais corajo­so oponente. Ao seu tempo escreveu Atanásio: "A verdade revela que o Logos não é uma das coisas criadas; ao invés disso, é seu Criador. Pois ele tomou sobre si o corpo criado de homem, para que ele, tal como Criador, pudesse reno­var este corpo e deificá-lo em si mesmo, de modo que o ho­mem, em virtude da força de sua identificação com Cristo, pudesse entrar no reino do céu. Mas o homem, que é parte da criação, jamais poderia tornar-se como Deus se o Filho não fosse verdadeiramente Deus... Igualmente, o homem não poderia ter sido libertado do pecado e da condenação se o Logos não tivesse tomado sobre si nossa carne natural, humana. Nem poderia o homem ter-se tornado como Deus se o Verbo, que se tornou carne, não tiyesse vindo do Pai -se não fosse seu próprio Verbo verdadeiro".

Sobre o apolinarianismo

Apolinário (apareceu em cena pela metade do IV sé­culo), teve dificuldade em aceitar a idéia de divindade de Jesus Cristo, como sendo ele da mesma substância do Pai. O principal problema, como ele o via, era este: Como pode o homem conceber a existência humana de Cristo? Segun­do Apolinário, a natureza humana de Cristo tinha de pos­suir qualidade divina. Não fosse esse o caso, a vida e a morte de Cristo não poderiam ter conquistado a salvação dos homens. Parece, pois, que Apolinário ensinava o se­guinte: Deus em Cristo foi transmutado em carne, e esta carne foi então transmutada pela natureza divina. 

De acordo com esse ponto de vista, Cristo não recebeu sua na­tureza humana e sua carne, da Virgem Maria: antes, trou­xe consigo do Céu uma espécie de carne celestial. O ventre de Maria simplesmente teria servido de local de passagem. Apolinário, portanto, acreditava que Cristo tinha ape­nas uma natureza e uma hipóstase. Essa natureza é a do Logos, que em Cristo foi transmutada em carne. Esta, por sua vez, assumiu a qualidade divina ao mesmo tempo.

 Apolinário combatia vigorosamente a idéia segundo a qual os elementos divino e humano se combinam em Cristo, que 'o Logos simplesmente se revestiu da natureza humana e li­gou-se a ela de modo espiritual.É óbvio que Apolinário enfatizava a divindade de Cristo a ponto de perder de vista sua verdadeira humani­dade. Cristo, segundo Apolinário, não possuía alma huma­na. Ele só tem uma natureza, a natureza encarnada do Lo­gos divino. 
 
 A teologia cristológica de Apolinário tem o ranso do velho modalismo com fortes traços docéticos. O apolinarianismo sofreu forte oposição de Diodoro de Tarso, Teodoro de Mopsuéstia, Teodoreto e João Crisóstomo.
 
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Sobre on nestorianismo

O nestorianismo deve a sua existência à pessoa de Nestório, bispo em Constantinopla no período 428-431. Nestório parece atribuir o seu discipulado a Teodoro de Mopsuéstia que ilustrava a união das duas naturezas de Cristo com a união conjugai de marido e mulher tornados uma só carne sem deixarem de ser duas pessoas e duas na­turezas separadas. Em vez de união, ele dizia conjugação, termo que representa perfeitamente a opinião nestoriana e justifica sua inadmissibilidade.Cirilo conseguiu a condenação de Nestório no Sínodo romano de agosto de 430, ratificada no Sínodo de Alexan­dria. Cirilo enviou a Constantinopla uma carta extensa que expunha sua doutrina e terminava com doze anátemas, transcritos a seguir:

1. Se alguém não confessar que o Emanuel é verdadei­ro Deus e que, portanto, a Santa Virgem é Theotókos (Mãe de Deus), porquanto deu à luz, segundo a carne, ao Verbo de Deus feito carne, seja anátema.

 2. Se alguém não confessar que o Verbo de Deus Pai estava unido pessoalmente [kath'hypóstasin] à carne, sen­do com ela propriamente um só Cristo, ou seja, um só e mesmo Deus e homem ao mesmo tempo, seja anátema.
 
3. Se, no único Cristo, alguém dividir as pessoas [hi­póstaseisj já unidas, unindo-as mediante uma simples união de acordo com o mérito, ou uma união efetuada através de autoridade e poder, e não propriamente uma união de natureza [kath'hénosin physíken], seja anátema.

4. Se alguém distingue entre dois caracteres [prósõpo] ou pessoas [hipóstaseis]... aplicando algumas apenas ao homem Jesus concebido separadamente do Verbo... outras apenas ao Verbo... seja anátema.

5. Se alguém presumir chamar Cristo de "homem por­tador de Deus" [theohóron ánthrôpon]... seja anátema.

6. Se alguém presumir chamar de Verbo a Deus ou Se­nhor de Cristo... seja anátema.

7. Se alguém disser que Jesus, enquanto homem, era operado [enêrgêsthai] por Deus o Verbo, que a "glória do Ungido" lhe foi concedida como algo existente fora do Ver­bo... seja anátema.

8. Se alguém tentar afirmar que, "juntamente com o Verbo Divino, se deve co-adorar, co-glorificar, co-proclamar Deus ao homem assumido pelo Verbo, como se fosse estranho ao Verbo, - e a conjunção 'com' ou 'co', ne­cessariamente, indica tal assunção, - e que não se deve adorar com a mesma adoração, glorificar com a mesma glorificação ao Emanuel feito carne", seja anátema.

9.Se alguém ensinar que o Senhor Jesus Cristo foi glorificado pelo Espírito Santo, como sé ele operasse um po­der estranho a si concedido mediante o Espírito Santo... seja anátema.

10.Se alguém não confessar que o Verbo de Deus so­freu na carne e foi crucificado na carne... seja anátema ((Documentos da Igreja Cristã – Juerp – Pág. 79/81). O Concilio de Éfeso, realizado em 431, aprovou esta carta contendo os doze anátemas de Cirilo.

Sobre o uutiquianismo

Segundo Eutiques, que era um abade do mosteiro em Constantinopla, dizia que Cristo, depois de se tornar homem, tinha apenas uma natureza. Sua humanidade, contudo, não era da mes­ma essência que a nossa. Indagado por Flaviano e Florêncio, quanto à sua crença cristológica, Eutiques respondeu o seguinte: 

Flaviano:
(Arcebispo de Constantinopla): Confessais que Cristo possui duas naturezas?

Eutiques:
Nunca presumi especular acerca da nature­za de meu Deus, Senhor dos céus e da terra; admito que nunca confessei ser Ele consubstanciai conosco... A Vir­gem, sim, confesso que é consubstanciai conosco, e que dela se encarnou nosso Deus.

Florêncio:
Sendo ela consubstanciai conosco, certa­mente também seu Filho, nos é consubstanciai?

Eutiques:
Note, por obséquio, que não afirmei que o corpo de um homem passou a ser corpo de Deus, mas que este corpo foi humano e o Senhor encarnou-se da Virgem. Se desejais que acrescente que o seu corpo foi consubstan­ciai com os nossos corpos, assim fá-lo-ei, mas entendo a palavra consubstanciai de modo que não acarreta a nega­ção da filiação divina de Cristo. Sempre evitei terminante-mente a expressão "consubstanciai na carne". Mas, sendo que Vossa Santidade mo pede, usá-lo-ei.

Florêncio:
Admitis ou não que Nosso Senhor nascido da Virgem é consubstanciai (conosco) e perdoador, após a encarnação, de duas naturezas?

Eutiques:
Admito que Nosso Senhor teve duas na­turezas antes da encarnação e uma só depois dela. Sou discípulo, neste particular, do bem-aventurado Cirilo, dos santos padres e de Santo Atanásio; eles falaram de duas naturezas antes da união; depois da união e encarnação, apenas falam de uma natureza, não de duas. Em novembro de ano 448, Eutiques foi condenado como heresiarca pelo Sínodo de Constantinopla.

terça-feira, setembro 16, 2025

O que aconteceu no período interbíblico ou intertestamentário

O período interbíblico, ou período intertestamentário, é o momento histórico que compreende o espaço de tempo entre o Antigo e o Novo Testamento. Na narrativa bíblica passaram-se cerda de quatrocentos anos entre a época de Neemias (quando o livro de Malaquias foi escrito) e o nascimento de Cristo (aproximadamente 433 – 5 a.C.).
Esse período entre os dois testamentos também é chamado por muitos como os “anos de silêncio”. Isso porque durante esse tempo não houve nenhum registro de uma palavra profética da parte de Deus para o povo de Israel.
Entretanto, muitas coisas significativas ocorreram no período interbíblico. Durante esse momento histórico, pode-se dizer que o mundo descrito no Novo Testamento estava em formação. Logo, o conhecimento dos fatos ocorridos durante o período interbíblico é fundamental para um melhor entendimento do contexto histórico do Novo Testamento.

Período Interbíblico de Malaquias a Cristo

Recuando até o ano de 538 a.C., temos o início do período persa que durou até aproximadamente 330 a.C. Os persas conquistaram os babilônicos que, por sua vez, já haviam conquistado Jerusalém em 568 a.C.
Isso acabou resultando no domínio da Pérsia sob os judeus por aproximadamente duzentos anos. Nesse período os judeus foram liderados por sumos sacerdotes, e tinham permissão para seguirem suas práticas religiosas. Nessa mesma época, por volta de 430 a.C., o profeta Malaquias exerceu seu ministério.
Em 333 a.C. foi a vez das tropas persas serem derrotadas por Alexandre o Grande. Então se deu início ao período helenístico que durou entre 330 e 166 a.C. Alexandre tinha a ambição de unificar o mundo com a cultura grega. Em 323 a.C. Alexandre morreu, e seu império foi dividido entre seus generais. Dessa divisão surgiram duas dinastias: a Ptolomaica (no Egito) e a Selêucida (na Síria e na Macedônia). Por mais de cem anos essas dinastias disputaram o controle da Palestina.

Enquanto os ptolomeus estavam no controle, as práticas religiosas dos judeus foram respeitadas. Porém, em 198 a.C., os selêucidas assumiram o poder, o que posteriormente resultou num período dramático e heroico da história judaica. Os primeiros anos foram tranquilos, mas em 175 a.C., quando Antíoco IV Epifânio subiu ao poder, as coisas ficaram muito complicadas. Antíoco IV Epifânio tentou impor um tipo de helenização radical, cometendo grandes atrocidades. Ele tinha o objetivo de acabar de vez com a religião judaica. Entre algumas coisas que ele fez, podemos destacar:
Proibiu elementos fundamentais dos costumes judaicos.
Tentou destruir todas as cópias da Torá (os cinco livros de Moisés – Pentateuco).
Exigiu que o deus grego Zeus fosse cultuado.
Sacrificou um porco dentro do Templo de Jerusalém.

A revolta dos Judeus no período interbíblico
Matatias, um camponês idoso de família sacerdotal, juntamente com seus cinco filhos, Judas (Macabeu), Jônatas, Simão, João e Eleazar, formaram a liderança da oposição ao governo de Antíoco IV Epifânio. O conflito conhecido como Revolta dos Macabeus, durou vinte e quatro anos (166-142 a.C.). Esse conflito culminou na independência de Judá até 63 a.C. Quando Simão, último dos cinco filhos de Matatias, morreu, a dinastia dos Hasmoneus se transformou também num regime helenista, comparado ao imposto pelos Selêucidas. Entre 103 e 76 a.C., Alexandre Janeu chegou até mesmo a perseguir os fariseus.
Finalmente em 63 a.C. a dinastia dos Hasmoneus chegou ao fim, numa intervenção romana na disputa entre Aristóbulo II e Hircano II, filhos de Janeu. A dominação romana se iniciou de forma muito traumática para os judeus. O general Pompeu, que conquistou o Oriente para Roma, tomou Jerusalém e acabou massacrando sacerdotes e profanando o Lugar Santíssimo, após ter sitiado a área do Templo por cerca de três meses.

A literatura no período intertestamentário
Embora esse período interbíblico tenha sido marcado por turbulências e conflitos, muito material literário foi produzido pelos judeus durante esses anos, desde textos históricos até obras apocalípticas. Certamente as três principais obras desse período foram: a Septuaginta, os Apócrifos e os Manuscritos do Mar Morto.
A Septuaginta é a versão grega do Antigo Testamento, também conhecida pelo algarismo romano LXX.
Ela possui esse nome porque, segundo as tradições judaicas, setenta e dois estudiosos teriam se reunido na Ilha de Faros, próximo à cidade de Alexandria, para traduzir o Antigo Testamento para o grego. Isso teria ocorrido num prazo de setenta e dois dias.
Entretanto, acredita-se que apenas a Torá (os cinco livros de Moisés) tenha sido traduzida nesse período.
Já os demais livros do Antigo Testamento, juntamente com alguns outros livros não canônicos, foram incluídos na Septuaginta em algum momento antes do início da era cristã.
A Septuaginta se tornou a Bíblia dos judeus fora da Palestina. Isso seu deu principalmente pelo fato de que muitos deles já não falavam mais o hebraico. Posteriormente a Septuaginta também se tornou a Bíblia mais usada pela Igreja Primitiva. Embora a Septuaginta tenha sido produzida por volta de 250 a.C., pode-se dizer que as ações de Alexandre o Grande entre 333 e 323 a.C., quando incentivou os judeus a se mudarem para Alexandria dando-lhes até mesmo alguns privilégios comuns aos cidadãos gregos, preparam o caminho para que esse projeto fosse realizado.

Os Livros Apócrifos também foram escritos nesse período intertestamentário, com exceção de 2 Esdras que, provavelmente, data de 90 d.C. Os chamados “Apócrifos” constituem uma coletânea de livros juntamente com mais alguns acréscimos de textos aos livros canônicos. Por um lado, sem dúvida essa obra possui sua importância como fonte de informação para o estudo do período entre os dois Testamentos. Mas por outro lado, os Livros Apócrifos não apresentam nenhum valor doutrinário, além de conter erros cronológicos e várias ideias conflitantes com os textos canônicos.
Os Manuscritos do Mar Morto são documentos e fragmentos encontrados em 1947 em uma caverna nas colinas da costa sudoeste do Mar Morto. Esse material incluía: livros do Antigo Testamento; alguns dos Apócrifos; livros pseudoepígrafos (textos escritos por autores que se faziam passar por personagens importantes da Antiguidade); obras apocalípticas; e vários outros livros específicos da seita que os produziu.

A sociedade no período intertestamentário
Nesse período entre o Antigo e o Novo Testamento, as grandes mudanças que ocorreram resultaram na sociedade judaica descrita nos tempos de Jesus. Um dos movimentos mais significativos dessa época foi a Diáspora (ou Dispersão). Embora tenha começado no exílio, foi no período interbíblico que a Diáspora realmente ganhou força, espalhando o povo judeu até mesmo para as terras mais longínquas.
Esse período também foi marcado pelo surgimento de grupos políticos e religiosos que foram muito atuantes no primeiro século. Entre esses grupos destacam-se: os saduceus, os essênios e os fariseus.
Foi no período interbíblico que o conceito de Sinagoga se solidificou ainda mais. Durante o período do exílio na Babilônia, o povo de Israel não tinha mais aceso ao Templo, além de ser confrontado por práticas religiosas pagãs que ameaçavam a continuação da religião judaica. Diante dessa realidade os judeus se concentraram em preservar o que possuíam, no caso a Torá e a convicção de que eram o povo de Deus.
Essa forma de culto era fundamentada no estudo da Torá, na piedade pessoal e na oração, como forma de substituir os sacrifícios que não podiam mais ser oferecidos. Logo, o judaísmo podia ser praticado em qualquer lugar onde fosse possível levar a Torá. Esse conceito foi preservado após o exílio, e a reunião em Sinagogas, que eram os locais onde as pessoas se reunião para cultuar a Deus, tornou-se bastante popular.

Cronologia do período interbíblico
Abaixo temos uma linha do tempo com os principais acontecimentos que ocorreram no período entre os Testamentos:

333-323 a.C. | Domínio de Alexandre o Grande.
323-198 a.C. | Os Ptolomeus dominam a Palestina.
320 a.C. | Jerusalém é conquistada por Ptolomeu I Soter.
311 a.C. | Início da dinastia Selêucida.
226 a.C. | Antíoco III conquista a Terra Santa.
223-187 a.C. | Antíoco se torna o governante Selêucida da Síria.
198 a.C. | Antíoco derrota o Egito e obtém o controle da Terra Santa.
198-166 a.C. | Governo dos Selêucidas sobre a Palestina.
175-164 a.C. | Antíoco IV Epífanio governa a Síria e o judaísmo é proibido.
167 a.C. | Matatias e seus filhos lideram a rebelião contra Antíoco IV.
166-160 a.C. | Judas Macabeu lidera.
165 a.C. | Rededicação do Templo.
160-143 a.C. | O sumo sacerdócio é exercido por Jônatas, filho de Matatias.
142-134 a.C. | Simão, filho de Matatias, se torna sumo sacerdote e começa a dinastia dos Hasmoneus.
134-103 a.C. | O estado independente judeu é expandido com João Hircano.
104-103 a.C. | Governo de Aristóbulo.
103-76 a.C. | Governo de Alexandre Janeu.
76-67 a.C. | Governo de Salomé Alexandra, e Hircano II é o sumo sacerdote.
66-63 a.C. | Conflito entre Aristóbulo II e Hircano II.
63 a.C. | Começa o domínio romano, com Pompeu invadindo a Terra Santa.
63-40 a.C. | Governo de Hircano II sob o controle de Roma.
48 a.C. | Júlio César derrota Pompeu.
44 a.C. | Assassinato de Júlio Cesár.
40-37 a.C. | Antígono governa sob os romanos.
37-4 a.C. | Herodes se torna governante da Terra Santa.
27 a.C. | César Augusto (Otaviano) governa o Império Romano.
19 a.C. | A construção do Templo de Herodes é iniciada.
4 a.C. | Herodes morre e Arquelau governa em seu lugar.

Referencia bibliográficas: Bíblia, dicionario bíblico e português, período interbíblico

sexta-feira, setembro 05, 2025

Instalação manual

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Com o fim do aBíblia não achei nenhum com melhor interface do que o "Xiphos -- Open Source Bible Study Software"

Porém, a instalação só se consegue no BigLinux, ou ubuntu e derivados por meio do flatpak, então se você quer experimentar ler a Bíblia e estudar no BigLinux abra seu terminal use os comandos abaixo:

Instalando:
flatpak install --from https://flathub.org/repo/appstream/org.xiphos.Xiphos.flatpakref

Atualizando:
flatpak --user update org.xiphos.Xiphos

Se não gostar e quiser desinstalar:
flatpak --user uninstall org.xiphos.Xiphos

Ou seguindo a dica do @[excluído] abaixo, que creia é a opção mais confiável:

sudo add-apt-repository ppa:pkgcrosswire/ppa
sudo apt-get update
sudo apt install xiphos 

Instalação manual

flatpak install flathub org.xiphos.Xiphos


Para executar depois de instalada

flatpak run org.xiphos.Xiphos